Por quê 2020 poderá repetir 2012

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Com a palavra: Fábio Salvador

Estamos na metade de 2019, e qualquer previsão sobre o que acontecerá no ano que vem é mera especulação. Não sabemos sequer se haverá eleição: uma emenda tramitando no Congresso visa unificar as disputas para todos os cargos em 2022.

Digamos que haja mesmo uma eleição em 2020. Ainda assim, apenas “chutes” são possíveis. Temos um monte de peças soltas no tabuleiro, bagunçando o jogo. Jessé no NOVO, por exemplo, é um “player” completamente imprevisível.

Mas eu vou fazer uma análise “Mãe Diná” apostando que, no frigir dos ovos, grandes ambições e apostas arriscadas darão lugar a planos realistas. Um Sarico sempre obcecado em ser prefeito vai a vice. Eraldo, eterno pré-candidato, acalmar-se-á na Câmara. E assim por diante.

Se ninguém fizer nada inusitado, 2020 será uma versão remasterizada de 2012.

Vejamos: o personagem principal da peça é o prefeito, representante de um projeto que está há muito tempo no poder. Ele governa com uma coalizão ampla, cheia de partidos e figuras que, no fundo, pouco têm a ver umas com as outras. Esse papel, antes interpretado pelo Alex Boscaini, agora é do André Pacheco.

O grande risco no caminho deste prefeito – em 2012 e em 2020 – era e é Valdir Bonatto, no papel de empresário tucano prometendo um choque de gestão na cidade. Uma oposição chique, modernizadora, coisa e tal. E caso ele não possa colocar o próprio nome na urna, ainda assim seguirá na disputa, mas através de um avatar: Francinei, algum outro aliado ou, quem sabe, Geraldinho.

Sobre Geradinho, vale lembrar: em 2012, ele tinha um papel bem diferente. Era o que se chamava de “terceira via responsável”. Um candidato jovem e carismático de centro-esquerda que empolgava quem via nele um rebelde desafiando os grandões. E que, ao mesmo tempo, afastava-se da imagem de radical e fazia-se viável jogando dentro das regras do jogo. Uma posição inteligente.

Este interessante papel parecia ausente no quadro de 2020. Mas aí, há poucos dias, Guto Lopes qualificou-se para a vaga. E com louvor! Exatamente como Geraldinho, saiu das profundezas bolcheviques do PSOL para navegar águas menos turbulentas.

Falando no PSOL… qual o nome do PSOL? Romer ou outra pessoa que, necessariamente, acabará interpretando o papel de um Romer: aquela candidatura de protesto com parcos recursos que joga a M… no ventilador nos debates e atrai o voto nas margens mais indignadas do eleitorado. Isso é exatamente o que o partido fez em 2016, 2012 e tem feito desde que foi fundado. Trata-se, portanto, de uma certa tradição das eleições viamonenses.

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